Abate ilegal de árvores caiu quase 25% desde 2002

19-07-2010 11:05

 

 

 

 

 

Fonte: www.naturlink.pt - Filipa Alves (16-07-10)

O corte ilegal de árvores em florestas de todo o mundo sofreu uma queda de 22%, com determinados países-chave a registarem reduções ainda mais significativas. No entanto, o abate ilegal continua a ser um problema grave mesmo nessas nações.
Depois de, na semana passada, o Parlamento Europeu ter aprovado uma lei para banir a madeira ilegal da UE, são apresentados os resultados de um estudo que revela que o mundo está no “bom caminho” no que diz respeito ao combate ao comércio de madeira ilegal.
A "Chatham House", instituição inglesa, analisou os níveis de abate ilegal de árvores a nível mundial desde 2002 e os resultados são animadores. Globalmente, o corte ilegal decresceu 22%, queda que foi ainda mais significativa em países com grandes áreas de floresta como a Indonésia e os Camarões, que registaram quebras na ordem dos 75% e 50% respectivamente, e o Brasil, com valores intermédios.
Segundo os autores do relatório esta alteração dos números é consequência tanto da implementação planos de incentivo ao abandono da prática tanto nos países exportadores de madeira como nos importadores – como a UE e os EUA -, como a colocação em prática de legislação mais rígida no que diz respeito à importação de madeira ilegal.
Apesar dos resultados positivos, o principal autor do estudo deixa claro que embora seja um bom princípio, a “luta” ainda não está “ganha” por várias razões.
Por um lado, explica Sam Lawson, embora os números relativos ao declínio sejam expressivos, “há que ter em conta que o abate ilegal nesses países é um problema tão grande que apesar de ter sido reduzido substancialmente, continua a ser um problema grave”, e o perito cita o exemplo da Indonésia onde “40% do abate continua a ser ilegal”.
Por outro lado é preciso notar que o estudo não analisou a situação em países com importantes áreas de floresta como Madagáscar e a República Democrática do Congo, onde a instabilidade política não permite o controlo da actividade.
Sam Lawson adverte ainda que daqui para a frente futuras reduções do abate ilegal de árvores serão mais difíceis porque as situações mais fáceis de resolver já foram solucionadas.
Segundo o co-autor do estudo, o próximo passo é conseguir que o Japão, que tem os níveis de importação de madeira ilegal per capita mais elevados, siga o exemplo dos EUA e da UE, no que toca à implementação de legislação proibindo a entrada no país de madeira obtida ilegalmente.
Da mesma forma, é essencial que a China e o Vietname se associem à causa da luta contra o abate ilegal de madeira, porque actualmente, processam nas suas fábricas muita madeira ilegal que é depois exportada para a Europa e os EUA.